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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Texto: ADORO DEVANEIOS


ADORO DEVANEIOS

Adoro devaneios, sentir o gelo da bebida no copo. Sentir o tocar sem acontecer, realizar-se sem fisicamente ser tocado. Sentir novamente o gelo da bebida no copo. Também em meus lábios, sentir o frio cortante da madrugada. Ao enfiar a chave no buraco da fechadura, sentir o olhar para o lado e o sorriso, não estava sozinho. Adoro devaneios. Chegar até a porta de casa, olhar novamente os olhos, aqueles que a tão pouco me observara com tanta veemência, olhar tua boca, tua boca, aquela que há tão poucos segundos salientava duvidas sobre o futuro, questionava, coisas do passado e se molhava com toques de salivas sempre que ao completar uma frase se fazia ser notada. Adoro devaneios, e os sigo, adoro devaneios, e os observo, adoro devaneios e os questiono, adoro devaneios e os faço, adoro devaneios e os sinto suavizando corpos, tocando sentimentos, embebendo os amantes, e frutificando as vidas. Sem sair da cama, sem mover um músculo, sem olhar o tempo. ADORO DEVANEIOS.

(Lucimar Simon)